30.12.09

Será o Facebook o novo Big Brother

Fonte: vu

O Facebook, com seus mais de 350 milhões de usuários no mundo, sendo aproximadamente 1 milhão deles apenas no Brasil, está sempre nos holofotes da mídia e dos especialistas em segurança. Agora, além da possibilidade de ameaças que contaminam os desavisados, o fato que tem chamado a atenção é o anúncio das novas políticas de privacidade e segurança dos perfis dos usuários da rede de relacionamento.

Ao acessar a página da rede social, um pop-up convida as pessoas a atualizarem os seus sistemas de partilha de dados. É possível deixá-los como estão, impossibilitando que usuários que não são amigos acessem as informações, mas o Facebook indica que o espírito de uma rede social é justamente o compartilhamento - deixando os dados acessíveis inclusive a mecanismos de busca.
 
Em post no blog de J.R. Smith, CEO da AVG Technology, Siobahn MacDermott, vice-presidente sênior de segurança e relação com os investidores da AVG Technologies, alerta para o fato. A verdadeira questão é se o Facebook está sendo totalmente transparente nessa decisão, para depois os usuários poderem tomar suas próprias decisões. "Da forma como está - na melhor das hipóteses - é confusa para o usuário médio. Tenho certeza de que poucos pensam nas implicações de proliferar suas informações pessoais quando estão ansiosos acessar seu perfil para jogar Mafia Wars ou ver o que seus amigos estão fazendo", alerta.
 
A executiva vai mais longe e analisa que o acesso a essas informações pode ser, na verdade, um prato cheio para criminosos, que teriam acesso a dados pessoais. "Estamos nos aproximando de um comportamento do tipo "Big Brother", onde todos sabem de todos. Essa é uma boa notícia para os criminosos e má para todo mundo", coloca.
 
Não são somente as pessoas com intenções ruins que podem aproveitar-se dos dados do Facebook como uma ferramenta de investigação da vida alheia. Roger Thompson, chefe de pesquisas da AVG Technologies, relatou em seu blog recentemente que, ao ligar para o banco para reclamar o motivo de seu cartão de crédito estar bloqueado teve que responder, além das questões habituais, sobre sua nora. A atendente explicou que as informações estavam 'publicamente disponíveis', fazendo perguntas utilizando seu nome de solteira - sendo que ela é casada há nove anos. "Como eles me associaram com minha nora? Custo a acreditar que essa informação é realmente pública, já que não temos nenhuma conta bancária ou documentos legais em conjunto. A única relação que temos é sermos amigos no Facebook", comenta.
 
O especialista não acredita que o Facebook iria vender dados, mas diz haver algumas explicações possíveis. "Eu os aprecio, mas essa empresa tem muitos desenvolvedores de aplicativos que estão colocando tempo e dinheiro na criação de aplicativos gratuitos. Estou bastante confiante de que nem todos têm doçura e luz em seus corações, e isso me preocupa", coloca.
 
Segundo Mariano Sumrell, diretor de marketing da Winco, distribuidora exclusiva da AVG no Brasil, realmente não há provas de que o Facebook está comercializando informações de seus usuários. Mas ao deixar claro que compartilhar os dados faz parte do mundo 2.0, a empresa deveria ser clara e transparente em relação a quais informações são divulgadas, para quem ficam disponíveis e como podem ser acessadas. "Deveriam ainda existir mecanismos para auditar a forma que o Facebook, Google e outras empresas usam a infinidade de dados coletados e armazenados por elas", opina.



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